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Política, religião e gênero nas Ilhas Maldivas: a construção de uma nação insular

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Política, religião e gênero nas Ilhas Maldivas: a construção de uma nação insular por Sylvia Romano apoiada em Fabiano de Souza Ilhas Maldivas, há um nítido contraste entre, por um lado, o turismo organizado geralmente por agências internacionais de viagem voltado para ilhas ocupadas por hotéis luxuosos ou resorts, até pouco tempo a única forma de turismo permitida no país, e por outro, o turismo independente, recentemente permitido para a visitação de ilhas habitadas basicamente por pescadores. Uma legislação específica regulamenta as atividades nas ilhas-resorts, de cunho liberal, diferente daquela mais conservadora e baseada em preceitos islâmicos que regulamenta as relações sociais no restante do país. Essa dualidade – um país, duas legislações – pode ajudar a compreender a configuração histórica particular das relações de poder, assim como as interpretações das formas da experiência da religiosidade e as expressões de gênero, que estão na base da legitimação de ideologias conf...

Papai é homem ou mulher?

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Questões sobre a parentalidade transgênero no Canadá e a homoparentalidade no Brasil por Sylvia Romano apoiada em lÉrica Renata de Souza : Neste artigo apresento uma discussão sobre a categoria trans-gênero, em especial no contexto canadense, a fim de problematizar a questão da parentalidade transgênero no Canadá e da parentalidade de travestis e transexuais no Brasil. Com base nos dados de campo, o foco está nos trans-gêneros canadenses que lidam com os constrangimentos sociais e culturais para as suas manifestações afetivas, familiares, parentais e sexuais, analisando essas práticas num diálogo com o cenário brasileiro no que se refere à ho-moparentalidade. Questiono em que medida não seria relevante também, no Brasil, tanto do ponto de vista acadêmico quanto político, possibilitar a existência discursiva das parentalidades transexual e travesti para além da homoparentalidade. Por fim, analiso as concepções de paterni dade que perpassam essas práticas, buscando compre...

Entre a folia e a bola de luz: reflexões sobre uma visão compartilhada com os sem-terra de Itapetininga-SP

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por SYLVIA ROMANO IN COMENTARIOS A Danilo Paiva Ramos Universidade de São Paulo RESUMO: Enfoco neste trabalho o momento em que vi, com um grupo de foliões sem-terra, uma bola de luz no céu. Na tentativa de melhor compre- ender esse evento, procuro refletir sobre as relações entre a Folia de Reis, as histórias de assombração e os lugares que fui ocupando na vida social do assentamento à medida que realizava minha pesquisa de campo. Tomando como referência os trabalhos de Bauman (1977), procuro reconstituir su- cintamente os pontos marcantes da etnografia da performance que realizei no Assentamento Carlos Lamarca, através da qual dois gêneros discursivos surgiram como fundamentais para entender a experiência dos assentados (Turner, 1986): as falas sobre a “nossa luta” e as “histórias de assombração”. Pensando com Favret-Saada (2005) e Ingold (2000), busco então refletir sobre a visão compartilhada da bola de luz como um evento que alterou de modo significativo o lugar que eu vinha o...

AVALIAÇÃO DO IMPACTO DE MODELOS INSTITUCIONAIS QUE CUMULAM ATRIBUIÇÕES DE TUTELA COLETIVA E EXECUÇÃO PENAL PARA A MITIGAÇÃO DAS VULNERABILIDADES QUE ACOMETEM O SISTEMA PRISIONAL POR SYLVIAROMANO EM COMENTARIOS AO MINISTERIO PUBLICO

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TORTURA EM AMBIENTE INTRAMUROS E O PAPEL DAS PROMOTORIAS DE EXECUÇÃO PENAL NAS APURAÇÕES DESSAS VULNERABILIDADES DO SISTEMA PRISIONAL 1. INTRODUÇÃO A tortura tem sido, até certo ponto, uma prática invisível para a sociedade e para o Estado. Basicamente, só existe e adquire forma e substância pelo ângulo do torturado. No mais, é uma prática indizível, invisível e impunível. Essa invisibilidade se reproduz nas ineficientes investigações e nos baixos índices de responsabilização dos seus autores, predominantemente agentes do Estado (em torno de 80%). Perante esse cenário, o torturador se coloca como “infrator” e “intocável” (principalmente quando é um agente do Estado). Podemos dizer, portanto, que a tortura é o crime dos 3 Is: Invisível, Ininvestigável e Impunível. As alegações de tortura são recebidas, institucionalmente, com desconfiança e ceticismo, por conta da relação assimétrica existente entre os supostos torturado (normalmente um criminoso, suspeito, investigado) e torturado...